Portuguese poem
Formosos olhos, que na idade nossa
Formosos olhos, que na idade nossa Mostrais do Ceo certissimos signais, Se quereis conhecer quanto possais, Olhai-me a mim, que sou feitura vossa.
Vereis que do viver me desapossa Aquelle riso com que a vida dais: Vereis como de Amor não quero mais, Por mais que o tempo corra, o damno possa.
E se ver-vos nesta alma, emfim, quizerdes, Como em hum claro espelho, alli vereis Tambem a vossa angelica e serena.
Mas eu cuido que, só por me não verdes, Ver-vos em mim, Senhora, não quereis: Tanto gôsto levais de minha pena!