Portuguese poem
Fiou-se o coração, de muito isento
Fiou-se o coração, de muito isento de si, cuidando mal que tomaria tão ilícito amor tal ousadia, tal modo nunca visto de tormento.
Mas os olhos pintaram tão a tento outros que visto têm, na fantasia, que a razão, temerosa do que via, fugiu, deixando o campo ao pensamento.
«Ó Hipólito casto que, de jeito, de Fedra, tua madrasta, foste amado, que não sabia ter nenhum respeito!
Em mim vingou o Amor teu casto peito; mas está desse agravo tão vingado, que se arrepende já do que tem feito».