Portuguese poem
Foi ja n'hum tempo doce cousa amar
Foi ja n'hum tempo doce cousa amar, Em quanto me enganou huma esperança: O coração com esta confiança Todo se desfazia em desejar.
Oh vão, caduco e debil esperar! Como, em fim, desengana huma mudança! Que quanto he mor a bem-aventurança, Tanto menos se crê que ha de durar.
Quem ja se vio com gostos prosperado, Vendo-se brevemente em pena tanta, Razão tẽe de viver bem magoado.
Mas quem ja tẽe o mundo exprimentado, Não o magôa a pena, nem o espanta; Que mal se estranhára o costumado.