Versos Portuguese Luís Vaz de Camões Foi ja n'hum tempo doce cousa amar

Portuguese poem

Foi ja n'hum tempo doce cousa amar

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Foi ja n'hum tempo doce cousa amar, Em quanto me enganou huma esperança: O coração com esta confiança Todo se desfazia em desejar.

Oh vão, caduco e debil esperar! Como, em fim, desengana huma mudança! Que quanto he mor a bem-aventurança, Tanto menos se crê que ha de durar.

Quem ja se vio com gostos prosperado, Vendo-se brevemente em pena tanta, Razão tẽe de viver bem magoado.

Mas quem ja tẽe o mundo exprimentado, Não o magôa a pena, nem o espanta; Que mal se estranhára o costumado.