Portuguese poem
Formosura do Ceo a nós descida
Formosura do Ceo a nós descida, Que nenhum coração deixas isento, Satisfazendo a todo pensamento, Sem que sejas de algum bem entendida;
Qual lingoa póde haver tão atrevida, Que tenha de louvar-te atrevimento, Pois a parte melhor do entendimento, No menos que em ti ha se vê perdida?
Se em teu valor contemplo a menor parte, Vendo que abre na terra hum paraiso, Logo o engenho me falta, o esprito míngoa.
Mas o que mais me impede inda louvar-te, He que quando te vejo perco a lingoa, E quando não te vejo perco o siso.