Portuguese poem
Eu vivia de lágrimas isento
Eu vivia de lágrimas isento, num engano tão doce e deleitoso que, em que outro amante fosse mais ditoso, não valiam mil glórias um tormento.
Vendo-me possuir tal pensamento, de nenhüa riqueza era envejoso; vivia bem, de nada receoso, com doce amor e doce sentimento.
Cobiçosa, a Fortuna me tirou deste meu tão contente e alegre estado, e passou-se este bem, que nunca fora;
em troco do qual bem só me deixou lembranças, que me matam cada hora, trazendo-me à memória o bem passado.