Portuguese poem
Nunca em amor damnou o atrevimento
Nunca em amor damnou o atrevimento; Favorece a Fortuna a ousadia; Porque sempre a encolhida covardia De pedra serve ao livre pensamento.
Quem se eleva ao sublime Firmamento, A estrella nelle encontra, que lhe he guia; Que o bem que encerra em si a phantasia São humas illusões que leva o vento.
Abrir se devem passos á ventura: Sem si proprio ninguem será ditoso: Os principios somente a sorte os move.
Atrever-se he valor, e não loucura. Perderá por covarde o venturoso Que vos vê, se os temores não remove.