Portuguese poem
Posto me tem fortuna em tal estado
Posto me tem fortuna em tal estado, E tanto a seus pés me tem rendido! Não tenho que perder já, de perdido, Não tenho que mudar já, de mudado.
Todo o bem para mim é acabado; Daqui dou o viver já por vivido; Que, aonde o mal é tão conhecido, Também o viver mais será escusado.
Se me basta querer, a morte quero, Que bem outra esperança não convém, E curarei um mal com outro mal.
E pois do bem tão pouco bem espero, Já que o mal este só remédio tem, Não me culpem em querer remédio tal.