Portuguese poem
Quando a suprema dor muito me aperta
Quando a suprema dor muito me aperta, Se digo que desejo esquecimento, He fôrça que se faz ao pensamento, De que a vontade livre desconcerta.
Assi de êrro tão grave me desperta A luz do bem regido entendimento, Que mostra ser engano, ou fingimento, Dizer que em tal descanso mais se acerta.
Porque essa propria imagem, que na mente Me representa o bem de que careço, Faz-mo de hum certo modo ser presente.
Ditosa he, logo, a pena que padeço, Pois que da causa della em mi se sente Hum bem que, inda sem ver-vos, reconheço.