Portuguese poem
Qual tem a borboleta por costume
Qual tem a borboleta por costume, que, enlevada na luz da acesa vela, dando vai voltas mil, até que nela se queima agora, agora se consume;
tal eu correndo vou ao vivo lume desses olhos gentis, Aónia bela; e abraso-me, por mais que com cautela livrar-me a parte racional presume.
Conheço o muito a que se atreve a vista, o quanto se levanta o pensamento, o como vou morrendo claramente.
Porém, não quer Amor que lhe resista, nem a minha alma o quer; que em tal tormento, qual em glória maior, está contente.