Portuguese poem
Quando os olhos emprégo no passado
Quando os olhos emprégo no passado, De quanto passei me acho arrependido; Vejo que tudo foi tempo perdido, Que tudo emprêgo foi mal empregado.
Sempre no mais damnoso mais cuidado; Tudo o que mais cumpria, mal cumprido; De desenganos menos advertido Fui, quando de esperanças mais frustrado.
Os castellos que erguia o pensamento, No ponto que mais altos os erguia, Por esse chão os via em hum momento.
Que erradas contas faz a phantasia! Pois tudo pára em morte, tudo em vento, Triste o que espera! triste o que confia!