Versos Portuguese Luís Vaz de Camões Quando os olhos emprégo no passado

Portuguese poem

Quando os olhos emprégo no passado

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Quando os olhos emprégo no passado, De quanto passei me acho arrependido; Vejo que tudo foi tempo perdido, Que tudo emprêgo foi mal empregado.

Sempre no mais damnoso mais cuidado; Tudo o que mais cumpria, mal cumprido; De desenganos menos advertido Fui, quando de esperanças mais frustrado.

Os castellos que erguia o pensamento, No ponto que mais altos os erguia, Por esse chão os via em hum momento.

Que erradas contas faz a phantasia! Pois tudo pára em morte, tudo em vento, Triste o que espera! triste o que confia!