Versos Portuguese Luís Vaz de Camões Quanta incerta esperança, quanto engano!

Portuguese poem

Quanta incerta esperança, quanto engano!

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Quanta incerta esperança, quanto engano! Quanto viver de falsos pensamentos! Pois todos vão fazer seus fundamentos Só no mesmo em qu'está seu proprio dano.

Na incerta vida estribão de hum humano; Dão credito a palavras que são ventos; Chórão despois as horas e os momentos, Que rírão com mais gôsto em todo o ano.

Não haja em apparencias confianças; Entendei que o viver he de emprestado; Que o de que vive o mundo são mudanças.

Mudai, pois, o sentido e o cuidado, Somente amando aquellas esperanças Que durão para sempre com o amado.