Versos Portuguese Luís Vaz de Camões Quanto tempo, olhos meus, com tal lamento

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Quanto tempo, olhos meus, com tal lamento

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Quanto tempo, olhos meus, com tal lamento Vos hei de ver tão tristes e aggravados? Não bástão meus suspiros inflammados, Que sempre em mi renovão seu tormento?

Não basta consentir meu pensamento Em mágoas, em tristezas e em cuidados, Senão que haveis de andar tão maltratados, Que lagrimas tenhais por mantimento?

Não sei porque tomais esta vingança, Mostrando-vos na ausencia tão saudosos, Se sabeis quanto póde huma esperança.

Olhos, não aggraveis outros formosos, Tornando hum puro amor em esquivança, Pois ficais por esquivos desdenhosos.