Portuguese poem
Quanto tempo, olhos meus, com tal lamento
Quanto tempo, olhos meus, com tal lamento Vos hei de ver tão tristes e aggravados? Não bástão meus suspiros inflammados, Que sempre em mi renovão seu tormento?
Não basta consentir meu pensamento Em mágoas, em tristezas e em cuidados, Senão que haveis de andar tão maltratados, Que lagrimas tenhais por mantimento?
Não sei porque tomais esta vingança, Mostrando-vos na ausencia tão saudosos, Se sabeis quanto póde huma esperança.
Olhos, não aggraveis outros formosos, Tornando hum puro amor em esquivança, Pois ficais por esquivos desdenhosos.