Portuguese poem
Se com desprezos, Nympha, te parece
Se com desprezos, Nympha, te parece Que podes desviar do seu cuidado Hum coração constante, que se offrece A ter por gloria o ser atormentado.
Deixa a tua porfia, e reconhece Que mal sabes de amor desenganado; Pois não sentes, nem vês que em teu mal crece, Crescendo em mi de ti mais desamado.
O esquivo desamor, com que me tratas, Converte em piedade, se não queres Que cresça o meu querer, e o teu desgosto.
Vencer-me com cruezas nunca esperes: Bem me podes matar, e bem me matas; Mas sempre ha de viver meu presupposto.