Portuguese poem
Se tomo a minha pena em penitencia
Se tomo a minha pena em penitencia Do error em que cahio o pensamento, Não abrando, mas dóbro meu tormento, Que a tanto, e mais, obriga a paciencia.
E se huma côr de morto na apparencia, Hum espalhar suspiros vãos ao vento Não faz em vós, Senhora, movimento, Fique o meu mal em vossa consciencia.
Mas se de qualquer aspera mudança Toda vontade isenta Amor castiga, (Como eu vejo no mal que me condena)
E se em vós não se entende haver vingança, Será forçado (pois Amor me obriga) Que eu só da culpa vossa pague a pena.