Portuguese poem
Seguia aquelle fogo, que o guiava
Seguia aquelle fogo, que o guiava, Leandro, contra o mar e contra o vento; Quebravão-lhe ondas o animoso alento, Por mais e mais que Amor lho renovava.
Com sentir ja que quasi lhe faltava, Sem nada esmorecer, no pensamento (Não podendo fallar) de seu intento O fim ao surdo mar encommendava.
Ó mar, (dizia o moço só comsigo) Ja te não peço a vida; só queria Que a d'Hero me salvasses: não me veja:
Este defunto corpo lá o desvia D'aquella tôrre: sê-me nisto amigo, Pois no meu maior bem me houveste inveja.