Portuguese poem
Sempre, cruel Senhora, receei
Sempre, cruel Senhora, receei, medindo vossa grã desconfiança, que desse em desamor vossa tardança, e que me perdesse eu, pois vos amei.
Perca-se, enfim, já tudo o que esperei, pois noutro amor já tendes esperança. Tão patente será vossa mudança quanto eu encobri sempre o que vos dei.
Dei-vos a alma, a vida e o sentido; de tudo o que em mim há vos fiz senhora. Prometeis e negais o mesmo Amor.
Agora tal estou que, de perdido, não sei por onde vou; mas algü' hora vos dará tal lembrança grande dor.