Versos Portuguese Machado de Assis Junqueira Freire: Inspirações do Claustro

Portuguese poem

Junqueira Freire: Inspirações do Claustro

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Eu também ideei a linda imagem Da placidez da vida; Eu também desejei o claustro estéril Como feliz guarida.

Corpo nem alma os mesmos me ficaram. Homem que fui não sou. Meu ser, meu todo Fugiu-me, esvaeceu-se, transformou-se. Vivo, mas acabei meu ser primeiro. Dista, dista de mim minh'alma antiga.

Nos, áditos do místico pagode O ministro de Brama aspira incensos. O áugure de Teos assentado Na trípode tremente auspícios canta. O piaga de Tupá, severo e casto, Nas ocas tece os versos dos oráculos. E o sacerdote do Senhor, — sozinho, — Coberto de baldões, a par do réprobo, Ante o mundo ao martírio o colo curva, E aos céus cantando um hino sacrossanto, Como as notas finais do órgão do templo, Confessa a Deus, e — confessando — morre.

No imundo pego da lascívia impura Desces do altar à crápula homicida, Sobes da crápula aos fulmíneos púlpitos. Ali teu brado lisonjeia os vícios, Aqui atroa apavorado os crimes. E os lábios rubros dos femíneos beijos Disparam raios que as paixões aterram.