Versos Portuguese Machado de Assis Lembra-te a ingenua moça, imagem da poesia

Portuguese poem

Lembra-te a ingenua moça, imagem da poesia

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... land of dreams. ... land of song. Longfellow.

Lembra-te a ingenua moça, imagem da poesia, Que a André Roswein amou, e que implorava um dia, Gomo infallivel cura á sua mágoa estranha, Uma simples jornada ás terras da Allemanha O poeta é assim: tem, para a dôr e o tedio. Um refugio tranquillo, um suave remedio

És tu, casta poesia, ó terra pura e santa! Quando a alma padece, a lyra exhorta e canta; E a musa que, sorrindo, os seus balsamos verte, Cada lagrima nossa em perola converte.

Longe d'aquelle asylo, o espirito se abate; A existencia parece um frivolo combate, Um eterno anciar por bens que o tempo leva, Flôr que resvala ao mar, luz que se esvai na treva, Pelejas sem ardor, victorias sem conquista! Mas, quando o nosso olhar os páramos avista, Onde o peito respira o ar sereno e agreste, Tansforma-se o viver. Então, á voz celeste, Acalma-se a tristeza; a dôr se abranda e cala; Canta a alma e suspira; o amor vem resgatal-a; O amor, gotta de luz do olhar de Deos cahida, Rosa branca do céo, perfume, alento, vida. Palpita o coração já crente, já desperto; Povôa-se n'um dia o que era agro deserto; Falia dentro de nós uma boca invisivel; Esquece-se o real e palpa-se o impossivel. A outra terra era má, o meu paiz é este; Este o meu céo azul.

Se um dia padeceste Aquella dôr profunda, aquelle anciar sem termo

Que leva o tedio e a morte ao coração enfermo; Se queres mão que enxugue as lagrimas austeras, Se te apraz ir viver de eternas primaveras, O' alma de poeta, ó alma de harmonia, Volve ás terras da musa, ás terras da poesia!

Tens, para atravessar a azul immensidade, Duas azas do céo: a esperança e a saudade, Uma vem do passado, outra cahe do futuro; Com ellas vôa a alma e paira no ether puro, Com ellas vai curar a sua mágoa estranha.

A terra da poesia é a nossa Allemanha.