Versos Portuguese Machado de Assis Vii

Portuguese poem

Vii

by

Listen in the reader

Ao brioso corcel encurta as redeas Vasco, e detem-se. A bella ia caminho E iam com ella seus perdidos olhos, Quando (visão terrivel)! a figura Pallida e commovida lhe apparece Do Freire, que, como elle namorado, Contempla a dama, a suspirar por ella. Era um varão distincto o honrado Freire, Tabellião da terra, não mettido Nas arengas do bairro. Pouco amante Dessa gloria que tantas vezes fulge Quando os mortaes merecedores della Jazem no eterno pó, não se illustrara Com actos de bravura ou de grandeza, Nem cobiçara as distincções do mando. Confidente supremo dos que á vida Dizem o ultimo adeus, só lhe importava Deitar em amplo in-folio as derradeiras Vontades do homem, repartir co'a penna Pingue ou magra fazenda, já cercada De farejantes corvos,--grato emprego A um coração philosopho, e remedio Para matar as illusões no peito. Certo, ver o usurario, que a riqueza Obteve á custa dos vintens do proximo, Comprar a eterna paz na eterna vida Com biocos do posthumas virtudes; Em torno delle contemplar anciados Os que, durante longo-aridos annos, De lisonjas e afagos o cercaram; Depois alegres uns, sombrios outros, Conforme foi silencioso ou grato O abastado defuncto,--emprego é esse Pouco adequado a jovens e a poetas.