Versos Portuguese Machado de Assis Vii

Portuguese poem

Vii

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Fresca e pura Era-lhe a voz, voz d'alma que sabia Entrar no coração paterno. A fronte Inclina o velho sobre o rosto amado De Angela.--Na cabeça osculo santo Imprime á filha; e suspirando, os olhos Melancholicamente ao ar levanta, Desce-os e assim murmura: «Vaso é digno de ti, lyrio dos vales, Terra solene e bella. A natureza Aqui pomposa, compassiva e grande, No regaço recebe a alma que chora E o coração que tumido suspira. Comtudo, a sombra pesarosa e errante Do povo que acabou pranteia ainda Ao longo das areias, Onde o mar bate, ou no cerrado bosque Inda povoado das reliquias suas, Que o nome de Tupan confessar podem No proprio templo augusto. Ultima e forte Consolação é esta do vencido Que viu tudo perder-se no passado, E unico salva do naufragio imenso O seu Deus. Patria não. Uma ha na terra Que eu nunca vi... Hoje é ruina tudo, E viuvez e morte. Um tempo, emtanto, Bella e forte ella foi; mas longe, longe Os dias vão da fortaleza e gloria Escoados de todo como as aguas Que não volvem jamais. Oleo que a unge, Finas telas que a vestem, atavios De ouro e prata que o colo e os braços lhe ornam, E a flôr de trigo e mel de que se nutre, Sonhos, são sonhos do propheta. É morta Jerusalem! Oh! quem lhe dera os dias Da passada grandeza, quando a planta Da senhora das gentes sobre o peito Pousava dos vencidos, quando o nome Do que ha salvo Israel, Moysés...» «--Não! Christo, Filho de Deus! Só elle ha salvo os homens!» Isto dizendo, a delicada virgem As mãos postas ergueu. Uma palavra Não disse mais; no coração, emtanto, Murmurava uma prece silenciosa, Ardente e viva, como a fé que a anima Ou como a luz da lampada A que não faltou oleo.