Versos Portuguese Machado de Assis Viii

Portuguese poem

Viii

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Das duas condições deu-lhe o guerreiro A peor,--fel-a escrava; e eil-a apparece Da sua aldea aos olhos espantados Qual fôra em dias de melhor ventura. Despida vem das roupas que lhe ha posto Sobre as polidas fórmas uso extranho, Não sabido jamais daquelles povos Que a natureza ingenua doutrinara. Vence na gentileza ás mais da tribu, E tem de sobra um sentimento novo, Pudor de esposa e de christã,--realce Que ao indio accende a natural volupia. Simulada alegria lhe descerra Os labios; riso á flôr, escasso e dubio, Que mal lhe encobre as vergonhosas maguas. Á voz do seu senhor accorre humilde; Não a assusta o labor; nem dos perigos Conhece os medos. Nas ruidosas festas, Quando ferve o canim, e o ar atrôa Pocema de alegria ou de combate, Como que se lhe fecha a flôr do rosto. Ja lhe descae então no seio oppresso A graciosa fronte; os olhos fecha, E ao céu voltando o pensamento puro, Menos por si, que pelos outros pede. Nem só o ardor da fé lhe abraza o peito; Lacera-lh'o tambem agra saudade; Chora a separação do amado esposo, Que, ou cedo a esquece, ou solitario geme. Se, alguma vez, fugindo a extranhos olhos, Não já crueis, mas cubiçosos della, Entra desatinada o bosque antigo, E a dor expande em lobregos soluços, Co'o doce nome accorda ao longe os écos, Farta de amor e prodiga de vida, Ouve-as a selva, e não lhe entende as maguas. Outras vezes pisando a ruiva areia Das praias, ou galgando a penedia Cujos pés orla o mar de nivea espuma, As ondas murmurantes interroga; Conta ao vento da noite as dores suas; Mas... fieis ao destino e á lei que as rege, As preguiçosas ondas vão caminho, Crespas do vento que sussurra e passa.