Portuguese poem
Viii
Taciturno Esteve longo tempo o ancião. Aquella Alma infeliz nem toda era de Christo Nem toda de Moyses; ouvia attento A palavra da Lei, como nos dias Do eleito povo; mas a doce nota Do Evangelho não raro lhe batia No alvoroçado peito, Solemnissima e pura... Descambava No entanto a lua. A noite era mais linda, E mais augusta a solidão. Na alcova Entre a pallida moça. Da parede Um Christo pende; ela os joelhos dobra, Os dedos cruza e reza,--não serena, Nem alegre tambem, como costuma, Mas a tremer-lhe nos formosos olhos Uma lagrima.