Portuguese poem
Xii
Tu, mancebo feliz, tu bravo e amado, Voa nas asas rutilas e leves Da fortuna e do amor. Como ao indiano, Que, ao regressar das porfiadas lutas, Por estas mesmas regiões entrava, A encontral-o saía a meiga esposa, --A recente christã, entre assustada E jubilosa coroará teus feitos Co'a melhor das capelas que hão pousado Em fronte de varão,--um doce e longo Olhar que inteiro encerra a alma que chora De gosto e vida! Voa o moço á estancia Do ancião; e ao pôr na suspirada porta Olhos que traz famintos de encontral-a, Frio terror lhe empece os membros. Frouxo Ia o sol transmontando; lenta a vaga Melancholicamente ali gemia, E todo o ar parecia arfar de morte. Qual se pallida a víra, já cerrados Os desmaiados olhos, Frios os doces labios Cansados de pedir aos céus por elle, Nuno estacára; e pelo rosto em fio O suor lhe caiu da extrema angustia; Longo tempo vacilla; Vence-se emfim, e entra a mansão da esposa.