Portuguese poem
Xiii
Quatro vultos na camara paterna Eram. O pae sentado, Calado e triste. Reclinada a fronte No espaldar da cadeira, a filha os olhos E o rosto esconde, mas tremor continuo De um abafado soluçar o esbelto Corpo lhe agita. Nuno aos dous se chega; Ia a fallar, quando a formosa virgem, Os lacrimosos olhos levantando, Um grito solta do intimo do peito E se lhe prostra aos pés: «Oh! vivo, és vivo! Inda bem... Mas o céu, que por nós vela, Aqui te envia... Salva-o tu, se pódes, Salva meu pobre pae!» Estremecendo, Nella e no velho fita Nuno os olhos, E agitado pergunta: «Qual ousado Braço lhe ameaça a vida?» Cavernosa Uma voz lhe responde: «O sancto officio!» Volve o mancebo o rosto E o merencorio aspecto De dous familiares todo o sangue Nas veias lhe gelou.