Portuguese poem
Xiv
--«Nasceste para ser senhora e dona: Anagê não te veda a liberdade; Quebra tu mesma os nós do captiveiro. Faze-te esposa. Vem coroar meus dias; Vem, tudo esqueço. A fronte do guerreiro, Adornada por ti, será mais nobre; Mais forte o braço em que pousar teu rosto. Sou menos bello que esse esposo ausente? Rudes feições compensa amor sobejo. Vem; ver-me-has companheira nos combates, E, se inimiga frecha entrar meu seio, Morrerei a teus pés. Tens medo aos padres? Outro destino escolhe. Cauteloso, Tece o japú nos elevados ramos Das elevadas arvores o ninho, Onde o inimigo lhe não roube a prole. Ninho ha na serra ao nosso amor propicio; Viveremos alli. Troveje em baixo A inubia convidando a guerra os povos; Leva de arcos transforme estas aldêas Em campos de combate,--ou já dispersas As fugitivas tribus vão buscando Longes sertões para chorar seus males, Viveremos alli. Talvez, um dia, Quando eu passar á mysteriosa estancia Das delicias eternas, me pergunte Meu velho pai:--«Teu arco de guerreiro Em que deserta praia o abandonaste? Salvar-me-ha teu amor do eterno pejo.»