Portuguese poem
Xiii
Tremulo, calado, Anagê crava n'ella os olhos turvos Dos vapores da festa. As mãos inermes Lhe pendem; mas o peito--ó misera!--esse, Esse de mal contido amor transborda. Longo instante passou. Alfim: «Deixaste A festa nossa (o barbaro murmura); Mysteriosa vieste. Dos guerreiros Nenhum te viu; mas eu senti teus passos, E vim comtigo ao ermo. Ave mesquinha, Inutil foges; gavião te espreita, Minha te fez Tupan.» Em pé, sorrindo, Escutava Potyra a voz severa De Anagê. Breve espaço abria entre ambos Alcatifado chão. A fatal hora Chegara alfim? Não o perscruta a moça; Tudo acceita das mãos do seu destino, Tudo, excepto... No proximo arvoredo Ouve de uma ave o pio melancholico; Era a voz de seu pae? a voz do esposo? De ambos talvez. No animo da escrava Restos havia dessa crença antiga Antiga e sempre nova: o peito humano Raro de obscuros elos se liberta.