Portuguese poem
Arde o templo com fogo furibundo
by Manuel Botelho de Oliveira (1636–1711)
A Dom João de Lancastro, na ocasião do incêndio do mosteiro, e igreja de São Bento em Lisboa, fazendo-se menção de se livrar do naufrágio da barra da Bahia
Arde o templo com fogo furibundo, É tudo confusão, e teme a gente; E todo o inferno se conjura ardente, Para abrasar o templo no profundo.
Contra Lusbel, e seu poder imundo Vos arrojais Católico e valente. E abraçado co'a Virgem felizmente, Livrastes de um eclipse ao Sol do Mundo.
Pagando a Virgem vossa fé ditosa, Vendo-vos perigar no mar irado, Vos livra agradecida, e generosa.
Em ambos fica o empenho executado; Ela vos livra da água procelosa, Vós a livrais do fogo conjurado.