Portuguese poem
Entre horrores cruéis do crespo vento
by Manuel Botelho de Oliveira (1636–1711)
A Afonso Furtado Rios e Mendonça saindo do porto de Lisboa a governar o Estado do Brasil, em ocasião tempestuosa, havendo depois bonança nos mares
Entre horrores cruéis do crespo vento Cortais, Afonso, o pélago arrogante, Vós constante no brio, ele inconstante, Ele em frio cristal, vós no ardimento.
Se nos conflitos do Mavórcio intento Marte vos respeitou sempre triunfante, Venceis no mar de um Deus o Reino errante, E na terra de um Deus o forte alento.
Perde Netuno as iras obediente, Ou entrega seus cerúleos senhorios, Afonso invicto, a vosso braço ardente,
E por glória maior de vossos brios Prostra ao vosso Bastão o seu Tridente, Obedece seu mar a vossos Rios.