Versos Portuguese Manuel Botelho de Oliveira Esperanças sem logro

Portuguese poem

Esperanças sem logro

by (1636–1711)

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Se contra minha sorte enfim pelejo, Que quereis, esperança magoada? Se não vejo de Anarda o bem que agrada, Não procureis o bem do que não vejo.

Quando frustrar-se o logro vos prevejo, Sempre a ventura espero dilatada; Não vejo o bem, não vejo a glória amada, Mas que muito, se é cego o meu desejo?

Enfermais do temor, e não se alcança O que sem cura quer vossa loucura; E morrereis de vossa confiança.

Esperança não sois, porém se apura, Que só nisto sereis certa esperança: Em ser falsa esperança da ventura.