Portuguese poem
Sai o Sol dos crepúsculos do Oriente
by Manuel Botelho de Oliveira (1636–1711)
À morte da senhora Rainha Dona Maria Sofia Isabel, aliviada com a vida dos senhores príncipes, e infantes
Sai o Sol dos crepúsculos do Oriente, E começando em lúcidos ensaios, Representa depois ardentes raios No teatro do Pólo refulgente.
Chega depois ao Ocaso, e quando sente (Bem que a seu resplandor floresçam Maios) Na vida, que ostentou, mortais desmaios, Os Astros ficam pelo Sol ausente.
Assim também alívios semelhantes Deixa este Sol aos olhos nunca enxutos Dos corações dos Lusos sempre amantes:
Porque nos deixa, sendo noite os lutos, Nas Régias prendas Astros rutilantes, Que sejam de seus raios substitutos.