Portuguese poem
Rosa, e Anarda
by Manuel Botelho de Oliveira (1636–1711)
Rosa da fermosura, Anarda bela Igualmente se ostenta como a rosa; Anarda mais que as flores é fermosa, Mais fermosa que as flores brilha aquela.
A rosa com espinhos se desvela, Arma-se Anarda espinhos de impiedosa; Na fronte Anarda tem púrpura airosa, A rosa é dos jardins purpúrea estrela.
Brota o carmim da rosa doce alento, Respira olor de Anarda o carmim breve, Ambas dos olhos são contentamento:
Mas esta diferença Anarda teve: Que a rosa deve ao Sol seu luzimento, O Sol seu luzimento a Anarda deve.