Versos Portuguese Manuel Maria Barbosa du Bocage +Egloga.+

Portuguese poem

+Egloga.+

by

Listen in the reader

Seu manto desdobrava a Noite escura, E a Rã no charco, o Lobo na espessura Vociferando, os ares atroavão; Do trabalho diurno já cessavão Os rudes, vigorosos Camponezes: O Vaqueiro, cantando atraz das Rezes, Após as Cabras o Pastor cantando, Hião para as Malhadas caminhando, Tudo jazia em paz, menos o triste, O desgraçado Elmano, a quem feriste, Oh pernicioso Amor, cruel Deidade, Flagélo da infeliz Humanidade: Tudo, emfim, descançava, excepto Elmano, Que a mão do Fado, universal Tyranno, Sentia sobre si descarregada; Que, longe da Paterna Choça amada, Dependente vivia em Lar estranho, Sendo os desgostos seus o seu rebanho. Honrados Maioraes o Ser lhe derão Lá junto ao Sado ameno, e lhe fizerão Das Artes cortezãs prezar o estudo: As Musas o encantárão mais que tudo, Ateando-lhe n'alma o Fogo santo, Que estúpidos Mortaes desdenhão tanto. Inflammado com elle, ao som da Lira Quebrava dos Tufões a força, a ira, E o venerando Téjo socegado, A cuja fresca praia o trouxe o Fado, Mil vezes, para ouvir-lhe as ternas mágoas, A limosa cabeça ergueo das Agoas. Cégo, convulso, pállido, e sem tino Entrava na Cabana de Francino O desditoso Elmano. Entre os Pastores Geral estimação, geraes louvores Francino com justiça disfrutava: Alto saber, o Espirito lhe ornava, Na vasta Capital fôra creado, E por expertos Mestres cultivado. Doce nó de Amizade os dois unia, Concorrendo a Razão, e a Sympathia Para tão bella, e placida Alliança. Notando, pois, a fúnebre mudança, Que no aspecto do Amigo apparecia, Assim Francino a causa lhe inquiria: