Portuguese poem
Que extranha agitação não sinto n′alma
by Manuel Maria Barbosa du Bocage
Que extranha agitação não sinto n′alma Depois que te perdi, querida Alzira! De meus olhos fugiu, sumiu-se o fogo, Que a tua companhia incendiava! Por uma vez se foi a minha alegria, Nem a mesma já sou, que outr′ora hei sido! Minhas vistas ao ceu languidas se erguem, E a mim propria pergunto d′onde venha Tão novo sentimento assoberbar-me? Não se aquieta o coração no peito, Não cabe n′elle, e viva chamma no intimo Das entranhas ardente me devora, Sem que eu possa atinar a causa, a origem. Aquelles passatempos, que na infancia Tão do peito queria, em odio os tenho.
Das mesmas sup′rioras a presença, Que d′antes para mim era indiff'rente, Se me torna hoje dura, intoleravel! Aonde, aonde irão estes impulsos Precipitar a malfadada Olinda? Será, querida Alzira, a tua ausencia, Que me faz derramar tão agro pranto? Debalde a largos passos solitaria Vago sem norte: ignoro o que procuro; Ah! minha cara! os males que tolero Expressal-os não posso, nem soffrel-os.