Portuguese poem
Magro, de olhos azues, carão moreno
by Manuel Maria Barbosa du Bocage
Magro, de olhos azues, carão moreno, Bem servido de pés, meão na altura, Triste de faxa, o mesmo de figura, Nariz alto no meio, e não pequeno:
Incapaz de assistir n′um só terreno, Mais propenso ao furor do que á ternura, Bebendo em niveas mãos por taça escura De zelos infernaes lethal veneno:
Devoto incensador de mil deidades, (Digo de moças mil) n′um só momento Inimigo de hypocritas, e frades:
Eis Bocage, em quem luz algum talento: Sairam d′elle mesmo estas verdades N′um dia, em que se achou cagando ao vento.