Portuguese poem
Soneto
by Manuel Maria Barbosa du Bocage
Para illudir o suspirado encanto, Por quem debalde ha longo tempo ardia, «Um ninho achei, oh Lesbia (eu lhe dizia) «Como é dos páes delicioso o canto!»
Assim doloso me expressava, em quanto Um alegre alvoroço em Lesbia eu via; «Ah! onde o deparaste?» (ella inquiria) «Vem (lhe torno) comigo ao pé do acantho:»
Por um bosque me fui c'os meus amores, Pergunta aos ramos pelo implume achado, E respondendo só vão meus furores:
Conhece… quer fugir ao laço armado, Na encosta a vérgo, que afofavam flores, Beijo-lhe as iras… fique o mais calado.
PAG. 165 — DECIMAS A UM TABELLIÃO.
Serão estas decimas effectivamente de Bocage! Ha quem o affirme, e quem o negue. Na duvida as deixamos ir; mas persuadimo-nos de que em qualquer dos suppostos, os leitores não nos levarão a mal a insersão d'ellas no presente volume.
PAG. 169 — DECIMA II.
Para intelligencia do equivoco em que o poeta fundou o pensamento d'estes versos, ahi vai copiado o titulo, ou explicação, que lhes poz A.M. do Couto ao inseril-as na collecção, a que por vezes temos alludido.
«Feita por occasião de Bocage estar hospede em casa de um amigo, e trazendo-lhe a criada para seu almoço um prato de papas de milho.»
PAG. 170 — DECIMA I.
Diz o referido Couto, que esta decima — «fôra improvisada a certo rancho de feias, que se iam banhar no Tejo em maré vazante.»
PAG. 171 — IMPROVISO.
Deu occasião a este improviso o facto de ter sido o Saunier preso em certa noute pela ronda do bairro como suspeito. No que toca a este individuo, e á sua historica gravata, veja-se o que se diz no tomo III da nova edição das Poesias de Bocage a pagina 414.
Alguem quiz, não sabemos com que razão, attribuir estes versos a Bersane; mas outros, que se dizem bem informados, sustentam que são de Bocage. Não achamos que o assumpto valha a pena da discussão; para ahi os lançamos, e os leitores ajuizem d'elles o que lhes parecer.
PAG. 172 — ELEGIA etc.
Dizemos a respeito d'esta peça o mesmo que dissemos das «Decimas ao Tabellião» (pag. 165) isto é, que não ha certeza de que Bocage fosse o seu auctor; mas achamos-lhe merito sufficiente para que os leitores não desestimem encontral-a aqui impressa pela primeira vez.
FIM.
INDICE DAS POESIAS QUE SE CONTÉM N'ESTE VOLUME.
Pag.
Ribeirada, poema A Manteigui, poema A Empreza Nocturna Epistola a Marilia (Pavorosa illusão etc. ) Fragmento de Alceu Arte de Amar Cartas de Olinda e Alzira (VII) Sonetos (LII) Miscellanea Elegia á morte de uma Alcoviteira Notas «Refutações á Pavorosa «Sonetos etc. contra Bocage «Sonetos contra frades «Sonetos á beata d'Evora «Soneto de P.J. Constancio
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Nota do Transcritor:
Erros tipográficos de ortografia, pontuação e indentação óbvios foram corrigidos; quaisquer outros erros ou inconsistências foram mantidos como no original.
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