Versos Portuguese Manuel Maria Barbosa du Bocage Vi

Portuguese poem

Vi

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Mas é preciso que subtil e hardido Primeiro excites a attenção de Tyrse. Com gesto alegre teu amor exprime, Falem teus olhos, todo o corpo fale; Mudo lhe dize que te assombra, e pasmam Do seu semblante a formosura, e a graça. Ora de espanto se amorteça a face, Ora se accenda com venereo fogo: O mesmo effeito teus contrarios fazem, Todos o orgulho mulheril incensam: O forte sexo para si reserva De Phebo os louros, de Mavorte as palmas. Em carros triumphaes nunca viu Roma Matrona illustre de Cesarea casa; Sós d'entre a chusma mulheril as Musas Á sombra dormem de Apollineos louros; Ao sexo lindo só agradam myrthos, Verdes arbustos, que cultiva Venus. Só d'entre a chusma varonil Cupido Da Cypria deusa pode entrar no templo: A porta guardam Furias irritadas, Que em vez de lanças arrepellam serpes, Com dente venenoso rasgam, mordem Alheio sexo, que arrostal-as ousa. Posto que fosse lindo o amor de Venus, Morreu da sua mordedura Adonis; Provando a furia da raivosa Alecto, Foi convertido em tenra flor Narciso.