Portuguese poem
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by Manuel Maria Barbosa du Bocage
Mas que novo segredo Amor me inspira! Que sabias regras, que preceitos novos! Filho de Venus, e de Marte filho, De teus altos mysterios serei vate! Forma novos oraculos em Cypro; Por elles tenha esquecimento Delphos. Namorado mancebo, Amor te fala, Ouve com filial respeito as vozes. Posto que tu na scena Doris ouças, Altos prodigios, maravilhas novas, A voz soltando bella, e sonorosa Com que suspenda sybillantes ventos, Não pasmes, nunca chores, ser não queiras Réo desditoso de tão negro crime; Cheia Tyrse de inveja, não perdoa, Mais depressa seria o mar estavel. A nação feminil sustenta sempre Entre si crua sanguinosa guerra: Inda no berço brandamente dorme, Inda c'o leite maternal se nutre, Já da cova sombria o negro monstro Que come verdes enroscadas serpes, Salta com Venenosa lingua, e lambe Seu terno peito, seu formoso rosto; Na bocca lhe vomita cru veneno, Que para o brando coração lhe corre, E nas vêas subtis introduzido, C'o rubro sangue lhe circula, e pulsa; Não só familias com familias rompem A paz benigna, que na terra expira; Entre as mesmas irmãs se accende a guerra, Por isso é hoje negro seixo Aglaura. Até nos céos o vago monstro gira, Minerva, e Juno fez rivaes de Venus; Não caíram troyanos altos muros, Só porque Paris foi roubar Helena! Mil adulteros tinham sem castigo Furtado esposas, maculado leitos: No pomo da Discordia veiu envolta A faisca fatal, que abrasou Troya.