Portuguese poem
Vii
by Manuel Maria Barbosa du Bocage
Mas onde corre meu batel ligeiro! Ferrando a vela para traz voltemos. Mancebos, que me ouvis, sabei sómente Que n'este laço se surprehendem todas. Se acaso entrasse n'esta rêde de ouro Lucrecia mesma ficaria presa; Não seria Penelope tão casta, Se os seus amantes lhe chamassem bella. Esta gloria sómente querem todas, Com fervoroso ardor todas a buscam: Nem sobre as margens do Euphrates Cesar Mais pela gloria marcial suspira. Apraz a Venus variar de forma, Tambem Cupido de ser vario gosta; Um gesto sempre doce se abhorrece, Ás vezes vale muito um desagrado.