Portuguese poem
Soneto
by Maria Adelaide Fernandes Prata (1826–1881)
Assim correm meus dias sem ventura, Ligeiros caminhando á eternidade, Em cada um, um espinho, uma saudade, Um motivo de dor, uma amargura!...
O' quanto assim é triste a vida e dura!... Mas na terra não ha felicidade!... Predice-o lá nos ceus a Divindade, e Nos ceus onde ella off'rece a gloria pura;
N'esta crença divina affronto ousada Dos fados o rigor, da crua sorte E sem temer espero socegada
D'essa parca terrivel duro córte; E' meu regresso emfim, resignada, Anjo te aguardo funebre da morte!...