Versos Portuguese Maria Adelaide Fernandes Prata Sexta-feira Santa

Portuguese poem

Sexta-feira Santa

by (1826–1881)

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Qual o pio Christão que n'este dia Ao Golgotha não leva o pensamento! Para junto da cruz ajoelhar Onde o martyr soffreu atroz tormento!

Legislador divino! Quem mais houve Que lei tão justa, egual ao mundo desse?! Mas eis do mundo a pagal n'essa cruz Eil-o crucificado! Alli fenece...

E em antes d'expirar ao Padre eleva Semi-abertos olhos e piedade Com instancia lhe pede ferveroso Para a fragil, pequena humanidade!

Vede, quanto elle é grande ante o Senhor! Aos homens Deus mostrou sua grandeza, Mostrou-lhes que era a luz; mal que expirou De trevas cobriu logo a redondeza!

De refulgir o sol então deixou, Por que outro de mais luz se extinguia, Toda a terra oscillou; do templo o véu Na Jerusalém impia se partiu!..

Com medonho estampido dos sepulchros Resurgiram os mortos appar'cendo Aqui, alli aos vivos que aterrados Pedem a Deus piedade já tremendo;

Não mofam já de Christo; elles se curvam Ante aquelle que á pouco apedrejaram; Depois as gerações, uma, após outra Sempre á cruz veneranda ajoelharam.