Versos Portuguese Maria Firmina dos Reis No Álbum de Uma Amiga

Portuguese poem

No Álbum de Uma Amiga

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D’amiga existência tão triste, e cansada, De dor tão eivada, não queiras provar; Se a custo sorriso desliza aparente Que mágoas não sente, que busca ocultar!?...

Os crus dissabores que eu sofro são tantos São tantos os prantos, que vivo a chorar, É tanta a agonia, tão lenta e sentida, Que rouba-me a vida sem nunca acabar.

D’amiga a existência Não queiras provar, Há nela tais dores, Que podem matar.

O pranto é ventura, Que almejo gozar; A dor é tão funda, Que estanca o chorar.

Se intento um sorriso, Que duro penar! Que chagas não sinto No peito sangrar!...

Não queiras a vida Que eu sofro — levar, Resume tais dores Que podem matar.

E eu as sofro todas, e nem sei Como posso existir! Vaga sombra entre os vivos, — mal podendo Meus pesares sentir.

Talvez assim Deus queira o meu viver Tão cheio de amargura, P’ra que não ame a vida e não me aterre.