Portuguese poem
Uma Tarde no Cumã
Aqui minh’alma expande-se, e de amor Eu sinto transportado o peito meu; Aqui murmura o vento apaixonado, Ali sobre uma rocha o mar gemeu.
E sobre a branca areia — mansamente A onda enfraquecida exausta morre. Além, na linha azul dos horizontes, Ligeirinho baixel nas águas corre.
Quanta doce poesia, que me inspira O mago encanto destas praias nuas Esta brisa, que afaga os meus cabelos, Semelha o acento dessas fases tuas.
Aqui se ameigam de meu peito as dores Menos ardente me goteja o pranto; Aqui, na lira maviosa e doce Minha alma trina melodioso canto.
A mente vaga em solidões longínquas, Pulsa meu peito, e de paixão se exalta; Delírio vago, sedutor quebranto, Qual belo íris, meu desejo esmalta.
Vem comigo gozar destas delicias, Deste amor, que me inspira poesia; Vem provar-me a ternura de tua alma, Ao som desta poética harmonia.
Sentirás ao ruído destas águas, Ao doce suspirar da viração, Quanto é grato o amor aqui jurado, Nas ribas deste mar, — na solidão.
Vem comigo gozar um só momento, Tanta beleza a me inspirar poesia! Ah! vem provar-me teu singelo amor Ao som das vagas, no cair do dia.