Portuguese poem
Nas Praias do Cuman - Solidão
Aqui na solidão minh’alma dorme; Que letargo profundo!... Se no leito, As horas mortas me revolvo em dores, Nem ela acorda, nem me alenta o peito.
No matutino albor a nívea garça Lá vai tão branca doudejando errante; E o vento geme merencório — além Como chorosa, abandonada amante.
E lá se arqueia em ondulação fagueira O brando leque do gentil palmar; E lá nas ribas pedregosas, ermas, De noite — a onda vem de dor chorar.
Mas, eu não choro, lhe escutando o choro; Nem sinto a brisa, que na praia corre: Neste marasmo, neste lento sono, Não tenho pena; — mas, meu peito morre.
Que displicência! não desperta um’hora! Já não tem sonhos, nem já sofre dor... Quem poderia despertá-lo agora? Somente um ai que revelasse — amor.