Portuguese poem
Confissão
Embalde, te juro, quisera fugir-te, Negar-te os extremos de ardente paixão; Embalde, quisera dizer-te: — não sinto Prender-me à existência profunda afeição.
Embalde! é loucura. Se penso um momento, Se juro ofendida meus ferros quebrar; Rebelde meu peito, mais ama querer-te, Meu peito mais ama de amor delirar.
E as longas vigílias, — e os negros fantasmas, Que os sonhos povoam, se intento dormir, Se ameigam aos encantos, que tu me despertas, Se posso a teu lado venturas fruir.
E as dores no peito dormentes se acalmam. E eu julgo teu riso credor de um favor; E eu sinto minh’alma de novo exaltar-se, Rendida aos sublimes mistérios de amor.
Não digas, é crime — que amar-te não sei, Que fria te nego meus doces extremos... Eu amo adorar-te melhor do que a vida, Melhor que a existência que tanto queremos.
Deixara eu de amar-te, quisera um momento, Que a vida eu deixara também de gozar! Delírio, ou loucura — sou cega em querer-te, Sou louca... perdida, só sei te adorar.