Portuguese poem
A Uma Amiga
Eu a vi — gentil mimosa, Os lábios da cor da rosa, A voz um hino de amor! Eu a vi, lânguida, e bela; E ele a rever-se nela: Ele colibri — ela flor.
Tinha a face reclinada Sobre a débil mão nevada; Era a flor à beira-rio. A voz meiga, a voz fluente, Era um arrulo cadente, Era um vago murmúrio.
No langor dos olhos dela Havia expressão tão bela, Tão maga, tão sedutora, Que eu mesmo julguei-a anjo, Eloá, fada, arcanjo, Ou nuvem núncia d’aurora.
Eu vi — o seio lhe arfava: E ela... ela cismava, Cismava no que lhe ouvia; Não sei que frase era aquela: Só ele falava a ela, Só ela a frase entendia.
Eu tive tantos ciúmes!... Teria dos próprios numes, Se lhe falassem de amor. Porque, querê-la — só eu. Mas ela! — A outro ela deu Meigo riso encantador... Ela esqueceu-se de mim Por ele... por ele enfim.