Portuguese poem
Iii
by Maximiliano de Azevedo (1850–1911)
As gloriosas naus, as naus conquistadoras, Que levavam no tópe as quinas vencedoras, Traficavam agora o oiro, os diamantes, O topazio, o rubi, os limpidos brilhantes, Que outr'ora o Oriente e hoje o Novo-Mundo Lançavam sem cessar do seu ventre fecundo!
E todo esse thesouro, e toda essa riqueza, Era p'ra abastecer a perdularia meza D'essa turba fradesca--a turba de vadios, Que não passavam fome e não passavam frios, Emquanto cá por fóra os tristes proletarios, Famintos, rotos, nús, sem pão e sem salarios, Iam implorar ás portas dos conventos As migalhas servis dos fartos alimentos!
Um rei fraco, imbecil, um rei dissipador, Assim, à imitação do Rei--Inquisidor, Lançava essa riqueza aos tigres de roupeta, Que tinham branca a face e a Consciencia preta.
Em vez de edificar escholas e hospitaes, Surgiam contrucções athleticas, brutaes, Que erguiam ao Azul, ao seio do Infinito, As torres collossaes, gigantes de granito.