Portuguese poem
Iv
by Maximiliano de Azevedo (1850–1911)
Pombal surgiu, emfim, e encetou a lucta, Heroica, gigantesca, audaz e resoluta, Que havia de firmar a nossa autonomia, E á Europa mostrar que era chegado o dia Em que, aniquillada a negra Reacção, O velho Portugal tornava a ser Nação.
A Industria floresceu e a Arte resurgiu; O commercio acordou; de novo se cobriu A vastidão do mar do nosso pavilhão, Que ia transplantar a Civilisação E levar aos confins de todo esse Universo O nome Portuguez, extincto e submerso!
Depois, deixando assim firmado com ardencia O acrisolado amor da nossa independencia, Esse homem genial, espirito gigante, Lançou o seu olhar ainda mais distante: Reformou a Instrucção--o foco da Verdade Que póde approximar o Genio á Divindade.
Um dia--horrivel dia!--um rude cataclysmo Lançou uma cidade ao seio do abysmo. D'essa terra gentil, que se chamou Lisboa, Só restava um montão que fuma e se esborôa!..
Pouco tempo depois erguia-se imponente A nova capital, mais bella e mais ridente...
Calêmos-nos agora!.. Ha-de-se admirar!.. Porque a nossa razão não sabe explicar Gomo é que um braço sò podesse, sem canceira, Alevantar do pó uma cidade inteira!