Portuguese poem
Nicoláo Tolentino
DE ALMEIDA.
LISBOA, 1828.
NA TYPOGRAPHIA ROLLANDIANA.
Com Licença da Meza do Desembargo do Paço.
A Sua Alteza.
SONETO I.
Tornai, tornai, Senhor, ao Tejo undoso, Vinde honrar-lhe outra vez a clara enchente, E deixai que ajoelhe entre a mais gente Hum protegido humilde, e respeitoso.
Não leva a vossos pés rogo teimoso De importuno cansado pertendente; Vem beijar-vos a mão humildemente, A mão augusta que o fará ditoso.
Pois foi por Vós benignamente ouvido, Não vai fazer em pertenções estudo, Vai só mostrar-vos que he agradecido.
Ante Vós ajoelha humilde, e mudo: Mostrai-lhe que inda he Vosso protegido; Que se isto lhe ficou, ficou-lhe tudo.
A Sua Alteza.
SONETO II.
Qual naufrago, Senhor, que foi alçado Por mão piedosa d'entre as ondas frias, Tal eu de antigas duras agonias Por vossas Reaes mãos fui resgatado:
Pois vencestes as teimas do meu fado, E já vejo raiar dourados dias, Deixai que possa em minhas poesias O vosso Augusto Nome ser cantado.
Não he digna de vós minha escriptura, Nem harmonia, nem estilo a adoça; Mas valha-lhe, Senhor, vontade pura.
Principe excelso, consentí que eu possa Fazer inda maior minha ventura, Contando ao mundo que foi obra Vossa.
Sahindo Conselheiro da Fazenda o Illustrissimo, e Excellentissimo Senhor D. Diogo de Noronha.
SONETO III.
Nem sempre em verdes annos a imprudencia Produz irregular procedimento: Nem sempre encontra o humano entendimento Só perto do sepulcro a sã prudencia.
Em Vós não esperou a Providencia Que longas cans vos dêm merecimento: Em Vós mostrou que estudos, e talento Valem mais do que a larga experiencia.
Os eruditos velhos Conselheiros, Depois que o vosso voto alli for dado, Serão de Vós eternos pregoeiros:
E dirão que deveis ser escutado Onde os Ministros vossos companheiros Não sejão da Fazenda, mas do Estado.
Aos leques mui pequenos, chamados Marotinhos.