Versos Portuguese Olavo Bilac A Velhice

Portuguese poem

A Velhice

by (1865–1918)

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O neto:

Vovó, por que não tem dentes? Por que anda rezando só. E treme, como os doentes Quando têm febre, vovó?

Por que é branco o seu cabelo? Por que se apóia a um bordão? Vovó, porque, como o gelo, É tão fria a sua mão?

Por que é tão triste o seu rosto? Tão trêmula a sua voz? Vovó, qual é seu desgosto? Por que não ri como nós?

A Avó:

Meu neto, que és meu encanto, Tu acabas de nascer... E eu, tenho vivido tanto Que estou farta de viver!

Os anos, que vão passando, Vão nos matando sem dó: Só tu consegues, falando, Dar-me alegria, tu só!

O teu sorriso, criança, Cai sobre os martírios meus, Como um clarão de esperança, Como uma bênção de Deus!