Portuguese poem
Marinha
by Olavo Bilac (1865–1918)
Sobre as ondas oscila o batel docemente... Sopra o vento a gemer. Treme enfunada a vela. Na água mansa do mar passam tremulamente Áureos traços de luz, brilhando esparsos nela.
Lá desponta o luar. Tu, palpitante e bela, Canta! Chega-te a mim! Dá-me essa boca ardente! Sobre as ondas oscila o batei docemente... Sopra o vento a gemer. Treme enfunada a vela.
Vagas azuis, parai! Curvo céu transparente, Nuvens de prata, ouvi! - Ouça na altura a estrela, Ouça de baixo o oceano, ouça o luar albente: Ela canta! - e, embalado ao som do canto dela, Sobre as ondas oscila o batel docemente.